dias da fisio

Espreitamos a fisioterapia do futuro com um pé apoiado nos ombros dos que a trouxeram até aqui e o outro a equilibrar-se nas mãos erguidas daqueles que começam a levantar-se, ao seu ritmo e com movimentos que nem sabíamos possíveis, mas que nos elevam com a paixão de quem se inquieta por crescer.

A iniciativa Dias da Fisio deu voz a fisioterapeutas com experiência bem alicerçada e a profissionais mais jovens, com percursos mais ou menos tradicionais, fruto de uma sociedade em mudança e de uma profissão que a acompanha, em luta pela sua afirmação.

Refletiu-se sobre o que é ser fisioterapeuta e o que é a fisioterapia. Discutiram-se com fervor as competências desta profissão e os possíveis cruzamentos, interligações e sobreposições com as competências de outras classes profissionais.

A experiência sentou-se a conversar descontraidamente e demonstrou que o que temos feito funciona, que a satisfação do paciente importa e que os resultados em saúde são basilares para esta profissão. E, depois de a analisar com atenção, agarrou-se à evidência para se sustentar nos momentos de decidir e nos momentos de agir.

Os novos trilhos por onde se aventura a fisioterapia apontam em várias direções, mas sempre com o olhar naquilo que nos une: a paixão pelo movimento humano.

A perspectiva da fisioterapia do futuro é fascinante e os fisioterapeutas estão atentos. Aprenderam que estar à espera é diferente de saber esperar. Aprenderam a saber estar e a saber fazer. Os fisioterapeutas perceberam que “quem só sabe de fisioterapia, nem de fisioterapia sabe”. E, por isso, a fisioterapia exercitou-se para se tornar mais forte, dançou e pintou emoções para exorcizar a dor, deu as mãos à filosofia e suplicou pela não alienação. Deixou-se guiar por aqueles a quem costuma dar indicações e divertiu-se.

A fisioterapia não continuou a queixar-se do estado das coisas e inconformou-se. Respirou fundo, imaginou, interligou forças de partes distantes, agiu e inovou, demonstrando que não é a gritar que nos fazemos ouvir, mas a aparecer com trabalho feito. E a fisioterapia despertou para a necessidade urgente da recolha, do registo e do tratamento dos dados dos seus utentes e dos seus procedimentos. Os fisioterapeutas entenderam que as ferramentas tecnológicas estão ao seu dispor, que a criatividade e a inovação também estão nas suas mãos.

O crescimento galopante de ferramentas de diagnóstico, monitorização e prescrição de tratamento baseadas em inteligência artificial, com capacidades descomunais de processamento de dados e de tomada de decisões, faz pairar sobre as nossas cabeças a dúvida se ser humano faz realmente a diferença para a fisioterapia. O que nos distingue? O que fará prevalecer esta profissão? Existirá nos moldes em que a conhecemos hoje? Será impelida para ou conduzir-se-á a uma mudança abrupta no tipo de competências necessárias para se ser fisioterapeuta?

Seja como for o futuro, o futuro da fisioterapia será melhor se formos juntos. Uma comunidade unida em torno de um propósito: capacitar o outro, dia-a-dia, todos os dias, em todas as circunstâncias.