novas exigências, novas competências

As profissões de saúde do futuro

Algumas das profissões de saúde que hoje conhecemos poderão sofrer profundas alterações ao longo dos anos.

A revista Forbes apresentou uma lista proposta pela a consultora Frost and Sullivan onde são apresentadas novas profissões de saúde que poderão desenvolver-se como consequência das exigências socioculturais e da evolução tecnológica.

São perspectivados “técnicos e especialistas em tecnologias da informação”, novas “especialidades médicas”, “assessores de saúde” e até “actividades criminosas” associadas à saúde.

Técnicos e especialistas em tecnologias da informação:

  • Técnico de robots de companhia
  • Analista de negócios da internet das coisas
  • Designer de interfaces computador-cérebro
  • Cientista de dados de saúde
  • Especialista em deep learning
  • Designer de comunicação de chatbots de inteligência artificial
  • Designer de gamification
  • Designer de terapia de realidade virtual
  • Designer de trajetos de drones médicos
  • Especialista em impressão 3D de cirurgia plástica/reconstrutiva;
  • Especialista de conteúdos de assistentes de voz de cuidados de saúde
  • Escrivão/especialista em documentação clínica robótica
  • Gestor de hospital virtual

Especialidades médicas:

  • Especialista em tele-cirurgia
  • Administrador de cirurgia em realidade virtual/aumentada
  • Engenheiro nanomédico
  • Designer de órgãos (sintéticos)
  • Especialista em criopreservação
  • Terapeuta de cyborgs
  • Terapeuta de fim de vida
  • Farmacêutico de compostos médicos de precisão

Assessores de saúde:

  • Estratega de estilo de vida
  • Conselheiro de epigenética
  • Assistente de pacientes
  • Navegador de cuidados de saúde
  • Gestor de finanças de saúde

Actividades criminosas associadas à saúde:

  • Pirata de dados de saúde
  • Especialista em neuro-estimulação cerebral
  • Terrorista genético/biológico

É fundamental que as profissões de saúde actuais, incluindo a fisioterapia, sejam capazes de assegurar a pertinência das suas competências no contexto das equipas de saúde do futuro.

A análise desta lista permite uma reflexão acerca de competências importantes a desenvolver pelos fisioterapeutas e das possíveis relações interdisciplinares com profissões que possam surgir.

O conjunto de dados a circular em rede cresce exponencialmente a cada segundo e é altamente provável que cada vez mais profissionais se dediquem exclusivamente ao tratamento deste tipo de informação.

A capacidade de análise de dados por parte dos agentes em saúde permitir-lhes-á compreender melhor os utentes, prever comportamentos e planear estratégias de prevenção e intervenção mais eficientes.

Estas premissas aplicam-se também à fisioterapia e é relevante que os fisioterapeutas estejam conscientes da importância da recolha e análise dos dados de forma que a sua intervenção se torne mais eficiente.

A tele-medicina é uma realidade.

Consultas à distância de uma video-chamada asseguram comodidade, facilidade e rapidez de acesso a profissionais de saúde.

Há actualmente vários exemplos de prática de tele-fisioterapia e o número certamente crescerá à medida que profissionais e utentes vão percebendo as vantagens associadas a uma consulta atempada e à adesão precoce a um plano de tratamento individualizado.

O fisioterapeuta poderá contribuir ainda para o desenvolvimento de algoritmos de decisão que permitam que chatbots dotados de inteligência artificial iniciem, por exemplo, o processo de triagem e encaminhamento para profissionais especializados em determinada área de intervenção.

A utilização do jogo como estratégia de aumento da motivação na reabilitação física tem sido alvo de investigação e está comprovada a sua eficácia no tratamento de condições neurológicas e músculo-esqueléticas.

Esta é uma área fascinante em que o fisioterapeuta pode cruzar as suas competências técnicas com as suas capacidades criativas, podendo contribuir para a construção de cenários de reabilitação de acordo com as necessidades individuais.

A fisioterapia tem hoje um papel preponderante na promoção do envelhecimento activo.

Há um enorme potencial para que esta seja uma das áreas em que poderemos continuar a contribuir muito significativamente para a melhoria da qualidade de vida da população.

A existência generalizada de robots de companhia num futuro mais ou menos próximo parece inevitável.

Estas máquinas dotadas de inteligência artificial são capazes de monitorizar a condição dos indivíduos, comunicar os dados com os profissionais de saúde ou mesmo tomar decisões e actuar em situações para as quais tenham sido programadas.

Poderão responder, por exemplo, a questões relacionadas com a incapacidade, a perda da independência funcional, a falta de segurança e o isolamento social, contribuindo significativamente para a melhoria da qualidade de vida da população idosa ou dependente.

O fisioterapeuta, enquanto especialista na avaliação e reabilitação do movimento humano, poderá participar na interpretação dos dados recolhidos pelos sistemas de inteligência artificial. Poderá ainda contribuir, por exemplo, para o desenvolvimento e monitorização de programas de exercício terapêutico específico, intermediado e veiculado por estes robots.

A realidade virtual é outra área apaixonante e avassaladora.

A sua manipulação com propósitos terapêuticos abre inúmeras possibilidades e perspectivas para a conceptualização do que poderá ser o futuro da reabilitação física.

Em paralelo com o design de gamification, o fisioterapeuta poderá contribuir com o seu expertise para o desenvolvimento de cenários de reabilitação em realidade virtual e aumentada.

Variáveis como a exposição gradual ao movimento e a gestão da dor são já hoje testadas em ambientes de realidade virtual com resultados encorajadores.

O fisioterapeuta deve conhecer os recursos tecnológicos disponíveis, saber utilizar as suas potencialidades terapêuticas, contribuir para a adequação destes recursos a propósitos de reabilitação do movimento e, em última análise, adotá-los na sua prática clínica e de investigação.

Temos actualmente exemplos excepcionais de boas práticas em fisioterapia que sem dúvida sobreviverão ao passar dos tempos.

Mas é vital que os fisioterapeutas – incluindo as instituições de ensino e as entidades que os representam – tenham a noção de que é fundamental a aquisição de novas competências para que a profissão se prepare, evolua e se adapte constantemente às novas exigências.