Perspectivas sobre o futuro da fisioterapia, a tele-fisioterapia e a relação de um-para-n – entrevista com Gabriel Martins da Costa (parte 3)

No que diz respeito à evolução da fisioterapia enquanto profissão, o fisioterapeuta GMC considera que “vai haver menos tratamento do que se pensa. Nós, fisioterapeutas, vamos caminhar muito mais para o campo da saúde do que para o campo da doença, embora aumente a prevalência da doença, principalmente pelo aumento da esperança média de vida e da sobre-vida.

Mas há também a questão da qualidade de vida. Cada vez vai haver mais exigência em relação aos últimos anos de vida. Portanto, vai haver a necessidade de estarmos mais próximos dos pacientes com mais idade.

Daqui a 30 ou 40 anos, vejo o fisioterapeuta mais dedicado à prevenção e à promoção da saúde do que propriamente ao tratamento.

Acho que vai haver muita evolução da nanotecnologia e de outras tecnologias que poderão ser substitutos de algumas das coisas que nós fazemos. Porque é big-business e vai haver investimento nessa área. Para muitos dos processos degenerativos que vemos neste momento vai haver evolução das terapias medicamentosas que em parte nos irão substituir.”

Em linha de convergência com a visão da World Confederation fot Physical Therapy, expressa num vídeo elucidativo sobre a gestão de dados e o futuro da fisioterapia, o GMC prevê que “daqui a 30 anos seremos tantos e tão velhos que teremos de ter acesso a cuidados de saúde na nossa própria casa. E aqui o estado terá uma palavra a dizer em termos de tele-medicina e de tele-fisioterapia.

A pressão social e económica será tanta que dificilmente se conseguirá sustentar a relação de um-para-um na fisioterapia. Portanto, por mais que queiramos dizer que é importante ter a relação de um-para-um, acho que nos temos de preparar rapidamente para uma solução eficaz de um-para-n.

Com certeza que a tecnologia irá evoluir de maneira que possibilite o feedback para o profissional de saúde, de maneira que evite deslocações e possa estar numa relação de um-para-n de forma exequível.

Imagino que alguém que precise de um cuidado de saúde contacta o seu médico que vai diagnosticar determinada condição clínica e eventualmente indicar a necessidade do cuidado de um fisioterapeuta.

Essa orientação muito provavelmente será digital, seja via telefone, telemóvel, relógio, óculos ou implante coclear.

E nós vamos interagir com esse paciente através da tele-fisioterapia, especialmente em casos de pacientes que não tenham capacidade para pagar a consulta de um-para-um (que será extraordinariamente cara daqui a 30 anos, tal como é hoje nos Estados Unidos da América).

Em relação ao acompanhamento, com certeza que serão necessários alguns contactos presenciais. Mas a grande maioria das sessões passarão pela educação e pelo exercício. Todas as medições associadas serão feitas remotamente e pontualmente haverá a presença física do profissional.

Para ser de outra forma teríamos de ser um milhão de fisioterapeutas. E mesmo que isso aconteça não haverá dinheiro para pagar a todos.”

Na última parte da entrevista é revelado um projecto piloto de classes de exercício para condições específicas desenvolvido como tentativa de mudança de paradigma no âmbito da MFR.

Um projecto piloto de classes de exercício para condições específicas

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