Projecto piloto de classes de exercício para condições específicas – entrevista com Gabriel Martins da Costa (parte 4)

Dada a perspectiva da insustentabilidade da fisioterapia baseada na relação de um-para-um, o GMC revela um projecto que tem vindo a ser desenvolvido no seio do Grupo CMM.

“A literatura científica tem vindo a demonstrar a relevância do trabalho em equipa e da estratificação do risco de acordo com tipo de pacientes.

Temos neste momento um projecto piloto a funcionar numa das unidades do Grupo. Baseia-se na relação de um fisioterapeuta para n pacientes ao mesmo tempo no contexto de exercício específico para determinado grupo de risco, principalmente em situações de dor crónica ou pacientes em estado crónico.

Este piloto já comprovou que as pessoas melhoraram funcionalmente, o seu índice de satisfação foi óptimo, os profissionais envolvidos (médicos, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais) também se sentiram realizados e, no fim de contas, a nível financeiro acabou por ser compensatório para a entidade prestadora de serviços e para a entidade financiadora.

Vamos avançar com um processo interno que consistirá em criar metodologias e instruções de trabalho bem definidas, fazer medições para garantir que temos dados robustos para depois fazer a apresentação adequada do projecto e até talvez publicar sobre o assunto.

Estamos a falar no âmbito da MFR, mas com médicos que compreendem que nós temos de exercer fisioterapia e não só actos de MFR. Isto só é possível quando há respeito mútuo e compreensão do papel complementar dos vários profissionais envolvidos.

É um projecto com que estou muito entusiasmado, liderado pelo fisioterapeuta João Noura juntamente com o Dr. Luís Boaventura, um dos nossos médicos fisiatras.”

Esta conversa com o Gabriel Martins da Costa permitiu perceber que considera que a inovação tecnológica é uma certeza na fisioterapia do presente e do futuro e que as implicações demográficas e sociais convergem para a necessidade de uma mudança de paradigma nos cuidados de saúde em que é privilegiada a custo-efectividade dos procedimentos.

O nosso agradecimento pela disponibilidade demonstrada e pela generosidade da partilha de informação e pontos de vista que tanto enriquecem a fisioterapia e contribuem para a evolução da profissão.

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